segunda-feira, 24 de junho de 2019

François de La Rochefoucauld, MÁXIMAS (1664)


«As nossas virtudes não são mais, na maior parte das vezes, que vícios mascarados.» (trad. Cristina Proença)

George Steiner, NO CASTELO DO BARBA AZUL (1971)

«Cada época histórica contempla-se no quadro e na mitologia activa do próprio passado ou de um passado tomado de empréstimo a outras culturas.»  (trad. Miguel Serras Pereira)


sexta-feira, 21 de junho de 2019

E. M. Cioran, A TENTAÇÃO DE EXISTIR (1956)

«Não há obra que não se volte contra o seu autor: o poema esmagará o poeta, o sistema o filósofo, o acontecimento o homem de acção.» 

A Tentação de Existir (1956) 
(trad. Miguel Serras Pereira e Ana Luísa Faria)

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Vinicius de Moraes, A MORTE E A MORTE DE QUINCAS BERRO D'ÁGUA (1959)

Em dois tentos simples, Jorge Amado acaba de escrever o que para mim é o melhor romance e a melhor novela da literatura brasileira: Gabriela, Cravo e Canela e A Morte e a Morte de Quincas Berro d'Água, publicada, esta, no número de junho da revista Senhor. Para tirar teima, ainda andei pegando êsses últimos dias Dom Casmurro e Quincas Borba e uma série de contos do velho Machado; um mais fino estilista, sem dúvida, o escritor carioca, com a graça da sua silogística cinzenta e a sua paciente ordenação das personagens no tempo e no espaço. O baiano, apesar do apuro que, pouco a pouco, está também atingindo, ainda se espoja no sumo de sua linguagem, ainda brinca em serviço, como se diz. E felizmente o faz! Pois se é verdadeiro dizer que o estilo é o homem, temos que Machado é mais estilo que homem, e Jorge Amado mais homem que estilo. E esta é, em última instância, pelo menos a meu ver, a classe de escritores que realmente fecundam a língua que realmente libertam as personagens da sua própria teia psicológica e as fazem saltar, vivas e ardentes, para o lado de cá do livro. 
Não somos um país de grandes prosadores. Alguns dos melhores são, a meu ver, poetas como Bandeira e Drummond, ou poetas a ser, como Rubem Braga, que é para mim, neste momento -- em que pese a freqüente displicência que a obrigação da crônica diária lhe traz -- o melhor prosador do idioma. Digo prosa, entenda-se bem. Grandes romancistas nós os temos, alguns aliando à vocação qualidades ímpares de estilo; e, infelizmente, nesta linha, o maior dêles, na minha opinião, morreu: Graciliano Ramos. Mas a maioria dos que procuraram narrar com estilo, nas pegadas do velho Machado, ou por imperativo de sua própria condição de escritor, secaram a língua, fizeram dela não um saboroso pão, cheiroso e de sustância; produziram finos biscoitos quebradiços que se prova uma vez com delícia, mas cuja repetição resulta enjoativa. A êsses prefiro francamente a incúria estilística de um José Lins, de um Jorge Amado da primeira fase, de um Otávio de Faria, que se prejudica o prazer sibarita da leitura de sandálias, em nada lhes subtrai a capacidade de criar mundos de romance onde as personagens "vivem".
Eu acho francamente belo o crescimento de um escritor como Jorge Amado, que vem desde um livro cheio de defeitos como O País do Carnaval até essa obra-prima que é A Morte e a Morte de Quincas Berro d'Água. Um crescimento verdadeiro como a vida, que vem de baixo para cima e sem se recusar às torpitudes; não um crescimento decorativo de araucária, mas de árvore que dá fronde e que dá frutos de polpa, que dá parasitas e dá passarinhos: uma gorda e resinosa mangueira. E que melhor comparação, para o deleite da leitura dêsse baiano da peste, que o de comer mangas, os dentes mordendo fundo a carne da fruta, a terebentina escorrendo pelo queixo no seu amarelo pungente, a gulodice de enxugar o caroço até o fim...
Saí da leitura dessa extraordinária novela, eu que andava no maior fastio de literatura, com a mesma sensação que tive, e que nunca mais se repetiu, ao ler os grandes romances e novelas dos mestres russos do século 19, Pushkin, Dostoievski, Tolstoi, Gogol especialmente. Uma sensação de bem-estar físico e espiritual como só dão os prazeres do copo e da mesa, quando se está com sêde ou fome, e os da cama, quando se ama. Ela representa dentro da novelística brasileira, onde já há cimos consideráveis, um cume máximo. Um cume que todos os escritores jovens devem ter em mira, numa sadia inveja e num saudável desejo de ultrapassá-lo. E tanto pior se o não fizerem.


Vinicius de Moraes

(Publicado inicialmente em Última Hora, Rio de Janeiro, 1959)

Jorge Amado Povo e Terra -- 40 Anos de Literatura, prefácio de José de Barros Martins, São Paulo, Livraria Martins Editora, 1971.


terça-feira, 21 de maio de 2019

confrontações com Winston Churchill, MEMÓRIAS DA MINHA JUVENTUDE (1930)

«Eu era um produto da era vitoriana quando os alicerces do nosso país pareciam firmemente assentes, quando a sua situação no comércio e nos mares não tinha rival e quando se consolidava, todos os dias, a grandeza do nosso Império e se afirmava o dever de a salvaguardar.»  (trad. Leopoldo Nunes)

quinta-feira, 14 de março de 2019

O RENASCIMENTO DA FICÇÃO EM PROSA COM O ROMANTISMO (Pe. Manuel Antunes)


Estava na dialéctica da história que a prosa de ficção renascesse com o Romantismo. Com efeito, em contraposição classicizante dos séculos XVI-XVIII, a literatura medieval foi extraordinariamente fecunda no género ficção, quer em verso quer em prosa. Ora, pretendendo o Romantismo ressuscitar a Idade Média -- como a Renascença pretendera ressuscitar a antiguidade -- era natural que nºao deixasse no esquecimento uma forma que, por tantos títulos, estava no centro mesmo das suas preocupações como das mais aptas para expressar a nova maneira de sentir.
O mundo heleno-romano não ignorara, de certo, a ficção em prosa. Porém a novela só tarde, muito tarde, surgiu no horizonte da sua cultura. E surgiu não em grandes obras mas em obras menores de secundaríssima importância, à excepção de uma ou duas que se salvam do quase universal naufrágio: Dáfnis e Cloé, a novela pastoril de Longo, que tanta influência -- directa ou indirecta -- havia de ter na constituição do género entre os neo-clássicos das literaturas modernas, e o Satyricon, atribuído a Petrónio, primeiro romance de costumes em que a sátira se aliava ao realismo. O povo grego -- tão poderosamente mitificador -- preferia fixar as suas criações míticas na poesia -- a epopeia e a tragédia, os géneros de coturno, por excelência -- e deixar a prosa para a utilidade: a história, a eloquência e o ensaio doutrinal. E os romanos seguiram-lhe as pisadas. Muito menos criadores que os gregos, limitaram-se quase só a reproduzir e, no melhor dos casos, a desenvolver os géneros fixados por estes. Com excepção de um, a sátira: «Satura tota nostra est», , diz ufanamente Quintiliano. Nestas condições, não é de estranhar que, tanto na Hélade como em Rome, os preceptistas sejam totalmente omissos acerca da literatura de ficção.
Com a Idade Média quase desapareceu ou, ao menos, passa para segundo plano, a mitologia clássica. Em lugar desta instala-se a mitologia nórdica, mais vaga, mais indefinida, mais brumosa e, por isso mesmo, aparentemente mais conciliável com o Cristianismo, a religião vencedora dos deuses antigos. Mais inocente também, menos gasta e em perfeito acordo com a nova geografia da cultura. Por outro lado o agiografismo maravilhoso -- os medievais tinham uma predilecção pelos «santos românticos», multiplicando as vidas de Maria Madalena, de Tais, de Maria Egipciana (prostitutas e santas) e as histórias de anacoretas do ermo --, a influência dos contistas árabes, a cavalaria como forma superior do heroísmo e da aventura, e a nova concepção do amor «cortês», ajudaram a criar o clima favorável è eclosão, quase simultânea de uma vasta literatura novelesca tanto em verso como em prosa. Porquê também em prosa? Não é agora o momento de o discutir. Contentemo-nos com assinalar o facto.
Com o Renascimento opera-se um regresso ao mundo antigo e, de novo, a prosa de ficção regressa também ao segundo plano. Sem dúvida, ao longo do século XVI, ela consegue ainda subsistir, vivaz. Mas isso vem-lhe, em parte, da força adquirida na encarnação do temperamento peninsular e, em parte, do novo sangue que lhe é transfundido pela novela pastoril, esta de remota origem helenística. Depois, durante os séculos XVII e XVIII, os géneros clássicos impõem o seu prestígio, e a literatura, progressivamente, academiza-se. Os tempos estavam maduros para uma revolução. E esta veio, embora, como quase sempre sucede connosco, inspirada de fora, pedida contudo, talvez mais que nenhuma outra, pelas nossas próprias necessidades internas.
Por sobre os três séculos neoclássicos o Romantismo vai buscar à Idade Média os seus temas, os seus géneros, a sua mitologia, a sua «inspiração». Não só isso. Pelo mesmo movimento, o Romantismo quer regressar ao povo, aos costumes, às lendas e às tradições do povo; quer regressar á Terra, àquilo a que hoje se chamaria, mais cientificamente, o «inconsciente colectivo». Retorno ao povo e à Terra, retorno ao Homem. À interioridade e ao sonho, como às forças irracionais, primitivas e criadoras do Homem. Tudo isto implicava uma nova sensibilidade metafísica e uma nova gnoseologia estética. De facto, ao passo que o Classicismo sentia a existência como ser, o Romantismo sente-a como devir; ao passo que o Classicismo estabelecia o primado da razão ordenadora e imitadora, o Romantismo encontra na imaginação e no sentimento as faculdades-mestras do escritor.
Todas as direcções do movimento romântico levam, pois, em linha recta, a uma renascença da ficção, nomeadamente da ficção em prosa. Porquê da ficção em prosa?
Porque havia o exemplo ilustre medieval e quinhentista; porque a prosa, tornada maleável e rica ao longo dos séculos clássicos, estava apta para, vitalizada, se converter em óptimo veículo da nova sensibilidade; porque um século burguês dificilmente aceitaria assim generalizado o coturno da epopeia -- e uma das flechas do Romantismo aponta ao contemporâneo, ao presente.
A prosa novelesca romântica desenvolver-se-á, em consequência, numa dupla linha: histórica e sentimental. Histórica e sentimental logo na primeira geração com Garrett e Herculano (Garrett, clássico por educação e romântico por temperamento, realiza-se melhor na linha sentimental; Herculano, romântico por educação e clássico por temperamento, encontra-se mais na linha histórica); histórica e sentimental ainda na segunda geração, como Rebelo da Silva, Camilo Castelo Branco e, em parte, Júlio Dinis.
Determinar, mais em concreto, o sentido e o valor desse renascimento da prosa em ficção com o Romantismo é assunto demasiado vasto para os limites dum simples artigo.


Nota - Publicado em Estrada Larga, suplemento literário de O Comércio do Porto (1956), coligido por Maria Ivone de Ornellas de Andrade  in Legómena -- Textos de Teoria e Crítica Literária, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1987. Artigo de jornal que é uma obra mestra de concisão -- em que tudo o que é importante é referido --,  e profundidade, pois cada período é passível de suscitar um ensaio.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

"Anhanguera (não) sou." (James Anhanguera)

Anhanguera (não) sou. Vicção: Bartolomeu Bueno da Silva foi português q viveu no século XVII europeu & comandou uma expedição bandeirante ao território americano inexplorado pelos brancos para lá dos limites permitidos aos portugueses pelo tratado de Tordesilhas.
Essas incursões no coração do continente eram muito frequentes nessa altura. Entradas partidas do Rio & bandeiras de São Paulo foram os primeiros contatos dos lusitanos com a anti civilização da selva tropical sul-americana, q alargaram o seu espaço de dominação cada vez mais paralém do limite acordado pelos almirantes ibéricos no tratado do fim do séc. XV.
Dominação e exploração são palavras boas para definir a consequência do nascimento da colônia imperial do Pau Brasil, cor fogoembraza no imenso verde da mata virgem, «primitiva» como reza a História oficial branca. História q descreve o nascimento da multinação brasileira com o alargamento progressivo das suas fronteiras -- d Ilha de Vera Cruz e Terra de Santa Cruz a Brasil -- como se fala da distância entre a luz e as trevas, para traz ou para a frente da (agri)cultura cristã dos marinheiros & comerciantes europeus as incontáveis agriculturas celestes da civilização intemporal do cipó.
O filme Aguirre, o conquistador, d W. Herzog, narra a viagem ao interior q corroía os colonos encuanto conquistavam horizontes q a sua vista cansada da civilização ocidental do medo mal descortinava. Ali, no inferno temido, caminhavam ao encontro do paraíso perdido, aqui. E desencontravam-se no cruzamento entre a sua imaginação e o real, entre o seu real e o fantástico: a imagem pura. Contra o cemitério d palavras crescente no velho continente: a loucura, o puro ser, a vida no fim da morte & na cabeça, pela boca, olhos, narinas e orelhas, como diria Caetano Veloso, os arquétipos da civilização do metal, luz do sol (da) sua vida.
Duas realidades distintas num diálogo d surdos: uma tentando sobrepôr-se à outra sem pensar compreendê-la, destruindo-a para nela criar o seu tesouro e construir a sua floresta d metal. Durante dez anos, numa viagem pelas terras do interior onde viria a ser fundado o Estado d Minas Gerais ao longo de parte da q hoje é chamada a Região Centro-Oeste, Fernão Dias Pais Leme e a sua patrulha d quatro mil bandeirantes procuraram mitológicas esmeraldas. Morreu d regresso a São Paulo com uma carga d pepitas verdes q imaginara as outras pedras mais preciosas e ficou na memória & num poema d Olavo Bilac como "O Caçador d Esmeraldas". Depois dele surgiram, para lá d a serra da Mantiqueira, pelos infindáveis montes do actual Estado d Minas, as brancas cidades barrocas d ouro e pedras preciosas feitas daquela terra rica, sobre ela e contra ela construídas.
Durante a sua incursão, o capitão d bandeira B. B. da Silva, outro Fernão Dias ou Aguirre mitológico encontrou mina d ouro em território sob controle d uma tribo aborígene. Perante a resistência índia em possibilitar a exploração dos desconhecidos d fartas barbas e roupas brilhantes para quem sabiam ouro ser sistema, pretexto muito forte para ficar, veio ali mesmo, rápido, o ardil: com aguardente, Bartolomeu lança fogo à água d um recipiente para grande espanto dos nativos, q mistérios desses tinham só na imaginação dos deuses. Aos olhos dos portugueses era a luz do seu conhecimento cristão sobre o primitivismo e obscurantismo pagão. «Anhanguera! Anhanguera!» gritavam os índios ante a visão da carantonha diabólica d B. B.  atrás do fogo impossível.  E o sage  português ficou para o vulgo como Anhanguera (coisa superior, do outro mundo -- em tupi-guarani) e permanece na galeria dos audazes q alargaram as fronteiras... do Brasil. James Anhanguera (não) sou, pois.

Corações Futuristas, Lisboa, A Regra do Jogo, 1978

Nota - Anhanguera não é, sequer brasileiro, mas português, talvez de gema -- ou da gema, para manter o tom. Prefácio extraordinário a um livro comprado e lido por mim em '82, 18 anos tenros. Notas sobre música popular brasileira é o subtítulo. Pela amostra pode-se intuir toda sua a bela pinta, a bem merecer reedição & possível actualização. 


sábado, 16 de fevereiro de 2019

"Num árido e abrupto vale" (Rui Chafes)

Num árido e abrupto vale, habitado apenas pelo rumor longínquo do rio lutando para conseguir passar entre as estreitas fragas, uma voz disse-me que só estamos aqui de passagem, que a nossa estadia na terra é temporária. Sentado nas pedras, aprendi que essa voz, atravessando aquela solidão arcaisca e silenciosa, era o próprio rio, imparável.

«O perfume das buganvílias», Entre o Céu e a Terra (2012) 

Nota - «O perfume das buganvílias» compõem com «A história da minha vida» o díptico deste livro, um dos mais belos que se publicaram na nossa língua.

domingo, 20 de janeiro de 2019

José Rodrigues Miguéis, UMA FLOR NA CAMPA DE RAUL PROENÇA (1979)

«Na curta viagem do comboio suburbano, escutando a nossa conversa, a menina, que não teria dez anos e veio a morrer de tuberculose tempos depois, fitava-me sem falar, com uma expressão de angústia infantil nos grandes olhos claros, ao mesmo tempo que em vão puxava para baixo, nos joelhos friorentos, a barra do vestidinho demasiado curto.»

Alexandre Babo, RECORDAÇÕES DE UM CAMINHEIRO (1993)


«O António Pedro, um bocado na senda do Dalí, garantia ter recordações do útero materno.»

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Ferreira de Castro, «Delfim Guimarães» (1934)


«Uma mão que se apertou, umas palavras que se trocaram, uma amizade que aflorou, aqui, ali, a norte, a sul, neste país, neste e naquele continente, para cá e para lá dos oceanos.» in A Unidade Fragmentada. Dispersos de Ferreira de Castro (1996), ed. Ricardo António Alves, separata de Vária Escrita i#3

domingo, 13 de janeiro de 2019

José Gomes Ferreira, A MEMÓRIA DAS PALAVRAS (1965)

«Cuido não anda longe da verdade se afirmar que a minha Aventura Poética começou aí por volta de 1908, tinha eu os meus oito anos, no dia em que reparei (ou procedi como se reparasse) na existência das palavras, extraídas da vaza da algaraviada comum por homens estranhos, incumbidos da missão especial de dizerem o que mais ninguém ousava.» 

Reinaldo Ferreira (Repórter X), MEMÓRIAS DE UM EX-MORFINÓMANO (1933)

«Mesmo antes de despertar -- um sonho me alvissarou que era hoje; um sonho em contorções e desesperos de pesadelos; seringas que se quebravam nas mãos, agulhas que me fugiam por entre os dedos, frascos de droga que se esvaziavam, por diabólico ilusionismo -- no próprio instante da picada.» 

Ferreira de Castro [MEMÓRIAS INÉDITAS ] (1931)

«Sentei-me a uma das carteiras e, não tendo coragem de levantar os olhos, fixei-os no abecedário, que crescia e se deformava constantemente.» 

Vitorino Nemésio, CONHECIMENTO DE POESIA (1958)

«Ninguém me pode impedir de ter conhecido a Poesia, embora com abuso e violência.»