quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Ferreira de Castro, «Delfim Guimarães» (1934)

«Uma mão que se apertou, umas palavras que se trocaram, uma amizade que aflorou, aqui, ali, a norte, a sul, neste país, neste e naquele continente, para cá e para lá dos oceanos.» in A Unidade Fragmentada. Dispersos de Ferreira de Castro (1996), ed. Ricardo António Alves, separata de Vária Escrita i#3

domingo, 13 de janeiro de 2019

José Gomes Ferreira, A MEMÓRIA DAS PALAVRAS (1965)

«Cuido não andar longe da verdade se afirmar que a minha Aventura Poética começou aí por volta de 1908, tinha eu os meus oito anos, no dia em que reparei (ou procedi como se reparasse) na existência das palavras, extraídas da vaza da algaraviada comum por homens estranhos, incumbidos da missão especial de dizerem o que mais ninguém ousava.» 

Reinaldo Ferreira (Repórter X), MEMÓRIAS DE UM EX-MORFINÓMANO (1933)

«Mesmo antes de despertar -- um sonho me alvissarou que era hoje; um sonho em contorções e desesperos de pesadelos; seringas que se quebravam nas mãos, agulhas que me fugiam por entre os dedos, frascos de droga que se esvaziavam, por diabólico ilusionismo -- no próprio instante da picada.» 

Ferreira de Castro [MEMÓRIAS INÉDITAS ] (1931)

«Sentei-me a uma das carteiras e, não tendo coragem de levantar os olhos, fixei-os no abecedário, que crescia e se deformava constantemente.» 

Vitorino Nemésio, CONHECIMENTO DE POESIA (1958)

«Ninguém me pode impedir de ter conhecido a Poesia, embora com abuso e violência.» 

Ferreira de Castro, OS FRAGMENTOS (póst., 1974)


«Volto as gavetas sobre a minha mesa de trabalho, como se nela virasse o açafate doméstico, contendo apenas migalhas dos dias vividos, de que se aproveitam somente as aspirações e os sonhos.» 

Conde de Ficalho, «Cartas do Campo» (1888)

«Os ricos e elegantes foram para Sintra, ou para uma praia qualquer, continuar a vida de Lisboa: as carruagens conhecidas cruzam-se no passeio da tarde, como se cruzavam durante o inverno na Avenida; e à noite, as mesmas soirées reúnem as mesmas pessoas, com os mesmos flirts, e a mesma ponta de má língua -- que, no fim de contas, sempre é uma consolaçãozita na vida.» O Repórter, 4 de Setembro de 1888, Dispersos (póst. 1998)  (edição de João Forjaz Vieira)

Maria Velho da Costa, O MAPA COR DE ROSA (1984)

«Toda, toda a escrita é compensatória de um silêncio.» 

Adalberto Alves


«A hipnose das sociedades ocidentais, rastejando em direcção ao "ter" e ao "produzir", repugna-me, sempre me repugnou, profundamente.» Oriente de Mim (1992)

António Cartaxo, AO SABOR DA MÚSICA (1996)

«Na madrugada de Londres, numa noite de Janeiro de 1965, ao som opaco de tambores, ouvem-se passos lentos e cadenciados que vão tomando conta do murmúrio da imensa cidade adormecida.»