quinta-feira, 31 de agosto de 2017

de Maia Alcoforado (1879-1944)



1. «Notas para fazer um conto»: Ao cabo da estrada que de Cantanhede fica apontada ao mar -- uma recta enorme, tamanha como uns dez quilómetros bem puxados, enfadonha e triste, com três montes de casas poisados nas ilhargas e alguns fornos de cal enrodilhando de fumo negro a ramaria dos pinheiros -- velhos, com mais de um século e altos como alarves -- aparece-nos de enfiada na ponta do nariz a Vila de Mira, que, ao contrário de Cantanhede, comarcã e burguesa, afidalgada e petulante, não tem na sua monografia capítulo de monta, nem réstia forte de alambicada pretensão... Paisagem do Dia Ausente (1947)

2 comentários:

  1. Um belo pedaço de prosa de alguém ,de quem eu nunca tinha
    ouvido falar. Tanta gente a escrever tão bem, e a quase
    impossibilidade de conseguir ler todos. É uma frustração.
    Já agora aproveito para sugerir João de Araújo Correia cuja
    escrita tem por vezes, a rudeza da terra transmontana.
    "Contos Bárbaros", na verdadeira acepção da palavra, acho eu.

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